segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Angenor, vulgo cartola

Ontem fui ao show da Cida Moreira no Theatro São Pedro.
O repertório de Cartola ainda hoje não me sai da cabeça.
A voz de Cida se punha a arranhar o coração do público.

Por uma poética de botequim, resolvi postar as imagens abaixo.
São de um bar perto da minha casa.



Imperdível este vídeo da Leci Brandão cantando Maravilhoso Vagabundo.
Cartola acompanha no violão.

domingo, 14 de setembro de 2008

Fragmentos de Goethe: Anelo

"Morre e transmuta-te": enquanto

Não cumpres esse destino,

És sobre a terra sombria

Qual sombrio peregrino.


Goethe

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

"Sou tão misteriosa que não me entendo" - Clarice Lispector

Aí vão alguns trechos de uma fabulosa entrevista com Clarice Lispector,
concedida a Júlio Lerner, da TV Cultura em 1977:





Seminário Desenho em Questão: Instituto de Artes/UFRGS

Acabo de encontrar este material no YouTube!

Seminário Desenho em Questão
Coordenação geral: Blanca Brites
Data: 30 outubro 2007
Local: Pinacoteca do IA/UFRGS - Entrada franca


As palestras do seminário Desenho em Questão, organizado pela Profa. Dra. Blanca Brites está disponível na Internet.

Alfredo Nicolaiewsky,Teresa Poester, Richard John, Flávio Gonçalves, Carlos Pasquetti, Marilice Corona e Mário Röhnelt e Laura Castilhos são alguns dos palestrantes.


Aí vai minha apresentação:


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Salva pelas reminiscências de um coração venoso periférico

As mãos deslisam sobre o volante, engatam marchas e movem o veículo. Tudo é transitório. As imagens se borram enquanto o olho (des)atento escorre pela cidade. No sinal vermelho o corpo pára. O olhar fixa-se na panturrilha. A velocidade do motoqueiro faz tudo apagar-se novamente. Prédios imensos alocam-se na retina que percorre as estruturas em construção. Céus! A panturrilha! Ela está imóvel no sinal. Sim, o sinal está vermelho. Pés chutam o freio com força, antecipando a parada brusca. As rodas travam, o carro deslisa até parar no sinal. Aliviada penso: salve a panturrilha, este coração venoso periférico que move o mundo! Intacta, a outra continuava lá, contraindo-se livremente a pulsar pelas ruas da cidade.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Ainda sobre ambigüidade - Relação entre obra e contexto ou a raiz da piada

Excerto da teoria literária de Empson. Fonte: E-Dicionário de Termos Literários
http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/A/ambiguidade.htm

Empson publica Seven Types of Ambiguity (1930) aos 24 anos, e adopta um estilo de análise textual que recorre às leituras cerradas (close readings). O principal resultado da investigação de Empson foi o de considerar que a ambiguidade era afinal a primeira virtude da poesia, ao contrário do que até aí se supunha. A ambiguidade é então a origem da eficácia poética. Os sete tipos apresentados são:
1) A função multidireccional de um termo ou estrutura gramatical;
2) A fusão de dois ou mais sentidos num só;
3) A paronomásia, que determina que dois sentidos aparentemente desconexos ocorram simultaneamente;
4) A não concordância de dois ou mais sentidos que se combinam para tornar claro o estado de espírito do autor;
5) A descoberta que o autor faz das suas ideias no acto da escrita, ou quando não tem consciência imediata dessas ideias;
6) A produção de enunciados contraditórios ou irrelevantes que obrigam o leitor a inventar enunciados próprios susceptíveis de serem conflituosos entre si;
7) A contradição completa de um enunciado, os dois valores da ambiguidade, que marcam uma divisão na própria mente do autor.

Enquanto o New Criticism separava o texto do contexto social, Empson insistiu em tratar a poesia como uma espécie de linguagem "comum", capaz de ser racionalmente parafraseada - tese já defendida por Wordsworth no prefácio à 2ª ed das Lyricall Ballads. Empson é um intencionalista puro e confesso, que apenas se interessa pelo sentido ditado pelo autor. Longe de existir como um objecto hermeticamente fechado entre si, a obra literária, para Empson, é aberta: a compreensão da obra envolve mais a compreensão dos contextos gerais, nos quais as palavras são usadas socialmente, do que a identificação dos padrões de coerência verbal interna.