quinta-feira, 2 de junho de 2022
Audiodescrição das obras de Renato Valle - Exposição ENSAIOS SOBRE DÁDIVA, EXPURGO E PROMESSA (curadoria Lilian Maus)
Exposição ENSAIOS SOBRE DÁDIVA, EXPURGO E PROMESSA, de Renato Valle
Curadoria: Lilian Maus
De 02 de junho a 31 de julho de 2022
Na Sala Xico Stockinger (6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre)
Residência artística e exposição fruto da parceria do Programa de Extensão Histórias e Práticas Artísticas (DAV-IA-UFRGS) e MACRS.
Roteiro de audiodescrição: Dani França
Consultoria: Erika Alves
OBRAS:
1- MEALHEIRO (2011)
RESINA DE POLIÉSTER E DINHEIRO - 35,5 X 27,5 X 15 CM.
SÉRIE CRISTOS E ANTICRISTOS3
Audiodescrição:
Fotografia vertical, colorida, da escultura “Mealheiro” em uma parede branca, iluminada. A escultura remete à clássica imagem do rosto de Jesus Cristo. Sendo a cabeça de Cristo em resina de poliéster, transparente e oca. O Cristo tem rosto oval, cabelos repartidos ao meio, ondulados, na altura do queixo, sobrancelhas espessas, olhos caídos, nariz com dorso alongado, barba cheia e comprida. Dentro da cabeça, há dezenas de moedas e algumas cédulas. Na altura do olho direito da escultura, há uma cédula amarela, no esquerdo, uma azul e próximo ao nariz, outra rosa. As moedas estão concentradas da ponta do nariz para baixo, sortidas nas cores dourada, cobre e prata.
2- ORATÓRIO I(1986).
ÓLEO SOBRE TELA, 70 X 55 CM
DA SÉRIE DE ORATÓRIOS PARA EXPOSIÇÃO “RENATO VALLE PINTURA 86”
Audiodescrição:
Pintura de um oratório, com portas abertas e uma banana dentro, sobre uma mesa retangular forrada com uma toalha branca. O oratório é de madeira marrom escuro, tem duas portas que se abrem para as laterais, são fixadas por dobradiças de mesmo tom que a madeira. A base interna do oratório é mais clara, como se fosse mais iluminado.
A parte superior é formada por quatro arcos com adornos entalhados na madeira. A banana está ao centro, com a ponta para cima e a base do pedúnculo para baixo. Ela é grossa, madura, e tem algumas manchas disformes pretas. No fundo do oratório, a sombra da fruta. A parte inferior é retangular, com vazamento que vai dos pés até o centro, em formato com base arredondada e ponta triangular, acompanhado de um entalhamento na madeira de mesmo formato. A toalha tem marcas de dobras salientes, na quina e no meio da mesa, formando uma cruz ao centro, e outras marcas que sugerem amassado na toalha. A claridade vinda do lado direito, forma a sombra do oratório abaixo se estendendo ao lado esquerdo da mesa
No canto inferior direito, a assinatura do artista: Renato Valle, 86
3- DIÁRIO DE VOTOS E EX-VOTOS (2005)
DESENHOS SOBRE PAPEL 2CM (CADA) - DE 4001 A 5000
Audiodescrição:
A obra, de técnica grafite sobre papel, é um políptico com 5 mil desenhos diferentes de tamanho 5x5 com subgrupos de ilustrações. Ela pode ser exposta de maneiras diferentes, a depender do espaço, e vista de formas diversas a depender do posicionamento da obra e da pessoa que a observa. Parte final do políptico, do desenho 4001 a 5000. Vinte desenhos na vertical e cinquenta na horizontal. Há três subgrupos de desenhos: o primeiro, começa no canto superior e inferior esquerdo e são rostos disformes, monstruosos; o segundo começa na parte central superior, desce até o meio e segue para o lado esquerdo, entre os rostos disformes, são desenhos de rostos de pessoas, a maioria crianças; à direita, da parte superior ao centro, mais figuras amorfas. O terceiro grupo começa do 10° desenho vertical com o 25° da horizontal e se expande para o lado direito e para baixo, a partir da 15° coluna, se estende para o lado esquerdo até a 11° linha. São desenhos de figuras e pessoas com braços abertos e cruzes.
6- A INFÂNCIA INTERROMPIDA, (2020)
GRAFITE SOBRE LONA CRUA - 202 X 118 CM.
Audiodescrição:
Desenho em grafite de uma figura com a cabeça da Mônica, dos quadrinhos de Mauricio de Souza, no corpo da clássica estátua Vênus de Willendorf. Mônica é uma criança de cabelos curtos, olhos e orelhas grandes, dentuça. Ela está com o semblante caído e uma lágrima escorre do olho direito. O corpo de Vênus, uma mulher adulta, nua e grávida, está levemente de perfil à direita. Os seios e a barriga são volumosos. Os braços são finos e estão apoiados sobre os seios. Ela tem as ancas largas, vulva escurecida, coxas grossas e pés amputados.
quinta-feira, 8 de julho de 2021
Exposição LINHAS CRUZADAS, Lilian Maus
Como surge um mito?
Transitando entre as linhas de verdade e ficção, a artista visual e professora do Instituto de Artes da UFRGS, Lilian Maus, monta uma atmosfera quase suspensa entre mundos para lançar sua exposição de inéditas, denominada Linhas Cruzadas. Ela marca o início da programação de 2021 da Fundação Força e Luz, antigo Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, que passa por um processo de reestruturação. O trabalho foi desenvolvido durante a Residência Artística Casco (financiada pela Lei Aldir Blanc) em fevereiro de 2021. A artista, que já pesquisava a região do Litoral Norte Gaúcho há mais de oito anos, contou com a colaboração da comunidade de Osório e do distrito de Passinhos para realizar o conjunto de obras em escultura, audiovisual, fotografia e pintura que serão apresentadas na mostra. Segundo a artista, o trabalho busca compreender e interpretar esta fascinante paisagem através dos caminhos percorridos por terra, água e ar no desenvolvimento da região. Para tanto, Lilian utiliza-se de documentos do Arquivo Histórico Antônio Stenzel Filho, bem como de álbuns de família, oralidades e lendas dos moradores para delinear este território. Além de muitos materiais históricos do Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul, como mapas dessa região. O objetivo do projeto é compreender, através da escuta e da sensibilidade artística, como se relacionam mitos e relatos históricos nessa paisagem de traçados desenhados por carretas, cataventos, trilhos de trem, linhas telefônicas e de transmissão de energia, além de embarcações nas hidrovias lacustres. “No fundo, essa exposição está falando sobre redes de conexão entre pessoas, entre tecnologias, entre artesanias, em diálogo com outras linguagens de comunicação e desenvolvimento socioeconômico”, explica. A sala Arquipélago, da Fundação Força e Luz, será ocupada por mais de 30 jangadas produzidas a partir da experiência da obra Ygápeba (jangada em tupi guarani), na qual Lilian Maus fez a embarcação flutuar em chamas pela Lagoa dos Barros, com o intuito de criar mais uma lenda urbana nesta paisagem cultural. No dia 11, às 12h, vai acontecer uma Live Vernissage no instagram, onde a própria artista mostrará uma de suas instalações. A mostra ficará aberta à visitação de 11 de maio ao dia 12 de junho, de terça a sexta, das 10h às 19h. Para visitas mediadas é preciso se inscrever através de um formulário que está na bio do perfil da instituição no instagram @cccev_cultura. Podem ser agendadas datas de terça a sexta, das 14h às 18h, com grupos de no máximo 6 pessoas, porém a inscrição no formulário é individual. Serão seguidos todos os protocolos da Secretaria de Saúde, portanto essa programação pode sofrer alterações. Sobre o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo Retornando às raízes, o espaço cultural adotou, provisoriamente, o nome de sua nova administradora: Fundação Força e Luz. Ele continua abrigando o Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul, o Memorial Erico Verissimo, o Auditório Barbosa Lessa e as salas multiuso na mesma sede: Edifício Força e Luz, Rua Andradas,1223. Comunicação: Reni Villamil
Transitando entre as linhas de verdade e ficção, a artista visual e professora do Instituto de Artes da UFRGS, Lilian Maus, monta uma atmosfera quase suspensa entre mundos para lançar sua exposição de inéditas, denominada Linhas Cruzadas. Ela marca o início da programação de 2021 da Fundação Força e Luz, antigo Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, que passa por um processo de reestruturação. O trabalho foi desenvolvido durante a Residência Artística Casco (financiada pela Lei Aldir Blanc) em fevereiro de 2021. A artista, que já pesquisava a região do Litoral Norte Gaúcho há mais de oito anos, contou com a colaboração da comunidade de Osório e do distrito de Passinhos para realizar o conjunto de obras em escultura, audiovisual, fotografia e pintura que serão apresentadas na mostra. Segundo a artista, o trabalho busca compreender e interpretar esta fascinante paisagem através dos caminhos percorridos por terra, água e ar no desenvolvimento da região. Para tanto, Lilian utiliza-se de documentos do Arquivo Histórico Antônio Stenzel Filho, bem como de álbuns de família, oralidades e lendas dos moradores para delinear este território. Além de muitos materiais históricos do Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul, como mapas dessa região. O objetivo do projeto é compreender, através da escuta e da sensibilidade artística, como se relacionam mitos e relatos históricos nessa paisagem de traçados desenhados por carretas, cataventos, trilhos de trem, linhas telefônicas e de transmissão de energia, além de embarcações nas hidrovias lacustres. “No fundo, essa exposição está falando sobre redes de conexão entre pessoas, entre tecnologias, entre artesanias, em diálogo com outras linguagens de comunicação e desenvolvimento socioeconômico”, explica. A sala Arquipélago, da Fundação Força e Luz, será ocupada por mais de 30 jangadas produzidas a partir da experiência da obra Ygápeba (jangada em tupi guarani), na qual Lilian Maus fez a embarcação flutuar em chamas pela Lagoa dos Barros, com o intuito de criar mais uma lenda urbana nesta paisagem cultural. No dia 11, às 12h, vai acontecer uma Live Vernissage no instagram, onde a própria artista mostrará uma de suas instalações. A mostra ficará aberta à visitação de 11 de maio ao dia 12 de junho, de terça a sexta, das 10h às 19h. Para visitas mediadas é preciso se inscrever através de um formulário que está na bio do perfil da instituição no instagram @cccev_cultura. Podem ser agendadas datas de terça a sexta, das 14h às 18h, com grupos de no máximo 6 pessoas, porém a inscrição no formulário é individual. Serão seguidos todos os protocolos da Secretaria de Saúde, portanto essa programação pode sofrer alterações. Sobre o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo Retornando às raízes, o espaço cultural adotou, provisoriamente, o nome de sua nova administradora: Fundação Força e Luz. Ele continua abrigando o Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul, o Memorial Erico Verissimo, o Auditório Barbosa Lessa e as salas multiuso na mesma sede: Edifício Força e Luz, Rua Andradas,1223. Comunicação: Reni Villamil
Lilian Maus no Espaço InComum (FURG) - Poéticas de Travessia: Arte, Sociedade e Educação.
No vídeo-documentário Lilian Maus apresenta sua poética de travessia, apresentando os trabalhos artísticos realizados especialmente últimos 10 anos. A artista fala de seu processo de pintura da séria área de cultivo e os caminhos de criação do jardim à paisagem. Apresenta o processo criativo do Projeto LINHAS CRUZADAS, desenvolvido da Residência Casco (Lei Aldir Blanc) e apresentado em exposição individual na Fundação Força e Luz em maio e junho de 2021.
_________ O projeto do Núcleo de Exposições, tem como objetivo realizar sistematicamente, a administração dos espaços expositivos, situados no Prédio das Artes do Instituto de Letras e Artes e da galeria de Arte da FURG, Espaço Incomum, situado no Centro de Convivência, na área de Artes Visuais. O Núcleo de Exposições objetiva também propor, fomentar e difundir a arte para a comunidade acadêmica da FURG e região de abrangência da mesma; estimular a criação artística e fruição cultural; possibilitar o contato com obras de Artes Visuais; instigar a experimentação em arte; produzir um apoio ao ensino dos alunos de artes visuais; e promover a construção cultural de bens simbólicos para a comunidade acadêmica em geral e para a população externa à instituição. O projeto, em sua atualização, também visa atender à Lei Municipal 8445, 07 de novembro de 2019, quanto à promoção e divulgação das culturas caigangues e guaranis. Também estaremos dando atenção à Lei 10.639/03 e o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, a qual ressalta a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira, bem como atender ao plano nacional de educação em direitos humanos e ao que rege a normativa da universidade quanto aos seus planos pedagógicos, no qual devemos desenvolver políticas estratégicas de ação afirmativa nas IES que possibilitem a inclusão, o acesso e a permanência de pessoas com deficiência e aquelas alvo de discriminação por motivo de gênero, de orientação sexual e religiosa, entre outros e segmentos geracionais étnicos-raciais. _________ EQUIPE - Núcleo de Exposições: Prof.ª Drª Janice Appel - Coord. do Núcleo de Exposições do Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Sophia Hiriart - Estagiária no Núcleo de Exposições - ILA - FURG. Yuri Lucas - Bolsista EPEC do Núcleo de Exposições - ILA - FURG. REDES SOCIAIS: Facebook: [https://www.facebook.com/
sábado, 13 de outubro de 2018
Exposição Olho d'água - Lilian Maus (curadoria: Marcio Harum)
Vinte e três lagoas delineiam a cidade de Osório/RS, onde a artista e professora de pintura da UFRGS Lilian Maus passou parte da infância. Há sete anos Lilian resolveu voltar para essa cidade e instalar lá o seu ateliê. Essa planície litorânea, repleta de charcos, ao ser entrecortada pela Serra Geral, atua como um corredor para os fortes ventos que afetam permanentemente a região, alimentando não apenas os cataventos da usina eólica instalada, como também as histórias fantásticas contadas pela comunidade. Essas lagoas são fontes de inúmeras lendas. Foi a partir da exposição Soçobro (2017), em que Lilian resgatou, por meio de pinturas, fotografias, artigos de jornal e mapas, a história do maior naufrágio lacustre do Rio Grande do Sul, que ela e o curador Márcio Harum estabeleceram um diálogo além da arte. Um ano após essa conversa fecunda surge a exposição Olho d'água, em que a lagoa dos Barros é o objeto de investigação da artista. O projeto resulta da parceria artística com o cineasta e artista Muriel Paraboni e conta com a participação do pescador José Ricardo de Queirós e do ator Cacá Toledo, além do fotógrafo Marcus Jung, do músico Edu Bocchese e da cineasta Thais Fernandes. Na exposição, Lilian Maus cria um enredo fantástico narrado através da imersão do espectador em vídeos, instalações, pinturas e fotografias de arquivo que propõem uma travessia silenciosa por águas doces nessa paisagem melancólica repleta de mistérios.
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
PINTURA AOS PEIXES - exposição de Lilian Maus no stand Galeria Aura, ARTRIO 2018
A Galeria Aura traz à ARTRIO, de 26 a 30/10/2018, a produção de Lilian Maus (Salvador/BA, 1983), artista visual e professora do Instituto de Artes da UFRGS, Doutora em Poéticas Visuais e Mestre em História, Teoria e Crítica de Arte. Lilian reside entre Osório e Porto Alegre, onde geriu o Atelier Subterrânea (2006-2015). Desde 2004, a artista participa de residências, salões e exposições nacionais e internacionais. Recebeu prêmios do MinC, da Funarte e de Secretarias da Cultura dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Lilian
Maus busca traçar, através de suas obras, uma profunda investigação
sobre a fenomenologia da paisagem. Desde 2012, quando transferiu seu
ateliê para Osório, a artista produz seu trabalho a partir da
interação com esse lugar. Suas pinturas são uma espécie de
travessia entre as experiências do estúdio e as incursões que
realiza na paisagem natural, a partir de caminhadas, navegações e
vôos livres. Na exposição
Pintura aos peixes,
exibida no stand
da Aura, ARTRIO 2018, a artista apresenta trabalhos da série Área
de Cultivo
e Sermão
aos peixes,
a partir de uma
instalação cujo fio condutor é a água, tendo em vista que seu
ateliê está cercado por 23 lagoas do litoral norte do RS. O
conjunto de obras integra o projeto OLHO
D'ÁGUA: por uma poética de travessia,
que terá nova mostra inaugurada 25 de outubro, na Galeria Aura
(Wizard, 397, São Paulo).
A
partir da
lição deixada por Jasper Johns na obra Diver,
Lilian também concebe a pintura como um mar onde o
pintor/mergulhador deve imergir nas profundezas misteriosas,
reservando sempre fôlego para retornar à superfície. Segundo
Bachelard (1989),
o ser voltado à água
é “um
ser em vertigem. Morre a cada minuto.”
É a partir dessa água que corre, cai e morre na horizontal que as
imagens da artista brotam como aguapés, por fortuna ou leveza, do
suporte encharcado junto ao chão. Tentando apre(e)nder essa
paisagem, a Lilian dissolve o conhecido no desconhecido e vice-versa,
fazendo as imagens flutuarem no plano do quadro e inundarem o espaço
do espectador.
O
avanço às profundezas aquáticas é também um retorno às nossas
origens. O mar, que há bilhões de anos deu origem à vida, até
meados do séc. XV, apresentava-se como barreira intercontinental
intransponível para a humanidade, marcando um limite entre vida e
morte, natureza e cultura. No entanto, a promessa de alcançar as
terras incógnitas fez do próprio mar o tema central da geopolítica
europeia do século XV ao XVIII. Foi mediante à promessa de chegada
no Paraíso Terreal que os colonizadores vieram às Américas. Mas a
fantasia do Jardim do Éden seria contrária às experiências
vividas na viagem, como bem nos lembrará o Padre António Vieira, em
seu célebre Sermão
de Santo António aos peixes
(1654), uma das
referências que alicerçam a exposição.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Sobre o trabalho "Flor Azul de Novalis (Centaurea cyanus) a Yemanjá" - Exposição Soçobro, de Lilian Maus
A pintura "Flor Azul de Novalis (Centaurea cyanus) a Yemanjá" é uma espécie de Monumento aos Náufragos de 1947 (Porto Lacustre Osório/Torres), história revisitada pela exposição Soçobro, de minha autoria, realizada a convite de Adriana Boff para o Paço dos Açorianos, em Porto Alegre.
A ideia do trabalho era ofertar um segmento da flor que foi inspiração para o mito romântico da "busca da flora azul" a cada um dos 20 Náufragos, cujos nomes estão inscritos manualmente nas placas douradas na margem inferior da madeira que serve de suporte à pintura.
Para chegar às formas, pesquisaei duas lâminas científicas da Flor Azul. Uma delas do botânico francês Amédée Masclef (Atlas des plantes de France, 1891).
A outra é do botânico sueco Carl Lindman (1856-1928), que tem belíssimas litografias e esteve, pra minha surpresa, no Rio Grande do Sul entre 1892-1894 e não pôde, em 1893, seguir suas incursões
pelas Missões por causa da guerra! (Lindman, "A Vegetação no Rio Grande do Sul", 1974, p.107)
A ideia do trabalho era ofertar um segmento da flor que foi inspiração para o mito romântico da "busca da flora azul" a cada um dos 20 Náufragos, cujos nomes estão inscritos manualmente nas placas douradas na margem inferior da madeira que serve de suporte à pintura.
Para chegar às formas, pesquisaei duas lâminas científicas da Flor Azul. Uma delas do botânico francês Amédée Masclef (Atlas des plantes de France, 1891).
A outra é do botânico sueco Carl Lindman (1856-1928), que tem belíssimas litografias e esteve, pra minha surpresa, no Rio Grande do Sul entre 1892-1894 e não pôde, em 1893, seguir suas incursões
pelas Missões por causa da guerra! (Lindman, "A Vegetação no Rio Grande do Sul", 1974, p.107)
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Viagem ao Interior - texto de Mário Fontanive para exposição "Soçobro", individual de Lilian Maus
Astrolábio
Neste mundo decifrado
navego a
lâmina rasa.
Beijo a boca.
Sigo o gesto.
Busco no meu verso
o mar silenciado.
Recolho os sinais
da cidade
submersa.
navego a
lâmina rasa.
Beijo a boca.
Sigo o gesto.
Busco no meu verso
o mar silenciado.
Recolho os sinais
da cidade
submersa.
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| Foto: Marina Raymundo da Silva (Arquivo Antônio Stenzel Filho, Osório/RS) |
Viagem ao interior
Quando a Lilian iniciou o doutorado, ela resolveu que iria para Osório, seria mais correto dizer que ela resolveu voltar para Osório, cidade onde passou parte da infância. Quis se afastar dos ruídos da cidade, de todos os ruídos, desde os físicos até os simbólicos. Buscava um silêncio, silêncio ou solidão são retiros onde talvez possamos ter uma medida melhor de nossas buscas. No silêncio ouvimos sons que normalmente estão escondidos sob camadas de outros sons, fazemos silêncio para escutar murmúrios, perceber discretos índices normalmente inescrutáveis. O silêncio é talvez um espelho onde podemos mergulhar mais atentos. Como disse o poeta, todo estado da alma é uma paisagem, tudo contém muito se os olhos bem olharem. Os silêncios, os vazios têm potências e o artista pode tornar político o que está escondido, abafado pelo barulho cotidiano.
Em Osório a Lilian teve o encontro com este silêncio próprio da paisagem interior, mas, além disto, encontrou o silêncio de outras paisagens, daquela da infância, da geografia, da natureza e da história. No início desse retorno, ela trabalhou no atelier, mas logo teve o interesse despertado pelo lugar. O artista precisa manter uma certa distância do objeto de sua atenção, não é interessante que sufoque o que está diante dele com concepções preestabelecidas. Deve deixar o objeto falar e, assim, o ambiente foi apresentando várias vozes para ela, ou é possível afirmar: várias vozes desveladas por ela. A arte produzida se mostrou sob muitas faces.
![]() |
| Calmaria na Lagoa do Peixoto ou O dia em que a montanha desapareceu |
Um dos encontros da Lilian foi com as histórias do lugar: ruínas, lendas, jornais, filmes, mapas, entre outras coisas que chamaram a atenção da artista e se tornaram objeto de trabalho. As lagoas do litoral norte gaúcho são interligadas por canais, onde é possível navegar de norte a sul de barco. Uma das histórias dessas navegações trata do naufrágio do barco Bento Gonçalves, em 1947. A artista cercou este evento com o levantamento de documentos históricos, a criação de registros próprios e a reconstituição do trajeto original do barco naufragado que ela realizou juntamente com o pescador José Ricardo, no barco Beija-flor. Em um encontro de passado e presente, com fotos e relatos da época e também o seu próprio registro fotográfico, a artista cria uma narrativa densa sobre o imaginário do lugar. O que significa compreender? Para Hannah Arendt, a compreensão é um processo complexo que, diferentemente do processo científico, nunca gera resultados inequívocos. A compreensão é necessariamente autocompreensão, a verdadeira compreensão sempre retorna aos pressupostos e juízos, modificando aquele que observa. O trabalho da Lilian é mostrar este processo, o processo de tornar uma geografia um lugar, de habitar um lugar. Ela colhe coisas e recolhe suas próprias metamorfoses nos seus trabalhos. Dissolve o conhecido no desconhecido, a imaginação pode dizer respeito à densidade do real apreendida pela constante mudança e variação das narrativas. Esta é a paisagem dos trabalhos da Lilian.
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| Quando o Minuano interrompeu a travessia do Beija-flor por águas doces |
Texto do Prof. Dr. Mário Furtado Fontanive, Depto. Design/UFRGS, para exposição Soçobro, individual de Lilian Maus (fotos ilustrativas compõem a mostra)
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