terça-feira, 6 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Mergulhos interiores
Às vezes, ela se sentia sugada pelo olhar dele. Um homem de pupilas dilatadas que a inquietava. Não eram apenas seus olhos trêmulos, ele lançava ruídos no ar. Seu cheiro e sua voz tomavam conta de um ambiente inteiro, trazendo-lhe inúmeras lembranças que não passavam pela mente, mas, através de todos os seus orifícios, a penetravam. Tudo a fazia convergir em torno daquele olhar de neblina. Bastavam alguns segundos para os orifícios negros daquele homem se tornarem poços profundos e simétricos, que a convergiam ambos para um único lugar: um túnel negro e úmido, em que, entre atração e repulsa, ela se deixava sugar.

Ao mergulhar nele, deparava-se com alguns pontos luminosos pulsantes, que lhe apontavam limites ou, quem sabe, saídas. Pontos claros que, feito estrelas, iluminavam a noite, revelando um brilho intenso que rasgava a superfície de olhos lacrimejantes. Ela,então, encontrava sua própria imagem refletida. Ver-se ali a reconfortava.
Nesses dias de mergulho, costumava também sonhar com uma noite clara,em que ela não teria mais medo do escuro, nem do silêncio. Nessa noite, os seus suspiros áridos cessariam e ela experimentaria a vida menos grave, apenas submergindo. Um mergulho sem volta, que transformaria todo o oco de seu umbigo em um grande orifício de
baleia. Pouco a pouco, seu corpo se moldaria à correnteza, ausentando-se de todo peso. E ela permaneceria sonhando com o dia em que serviria de isca aos olhos da criança pega de surpresa, ao brincar com o caniço na beira do rio que a transformara.

Nesse dia, como um raio de luz na tempestade, ela seria o motivo de todo espanto, o próprio desconhecido. Ao despertar do sono provocado pelas sombras daquele homem misterioso, ela sentiu saudades de certos fluidos, de tantas neblinas que um dia romperam, agudamente, a divisão entre luz e penumbra, entre homem e mulher.
Ao mergulhar nele, deparava-se com alguns pontos luminosos pulsantes, que lhe apontavam limites ou, quem sabe, saídas. Pontos claros que, feito estrelas, iluminavam a noite, revelando um brilho intenso que rasgava a superfície de olhos lacrimejantes. Ela,então, encontrava sua própria imagem refletida. Ver-se ali a reconfortava.
Nesses dias de mergulho, costumava também sonhar com uma noite clara,em que ela não teria mais medo do escuro, nem do silêncio. Nessa noite, os seus suspiros áridos cessariam e ela experimentaria a vida menos grave, apenas submergindo. Um mergulho sem volta, que transformaria todo o oco de seu umbigo em um grande orifício de
baleia. Pouco a pouco, seu corpo se moldaria à correnteza, ausentando-se de todo peso. E ela permaneceria sonhando com o dia em que serviria de isca aos olhos da criança pega de surpresa, ao brincar com o caniço na beira do rio que a transformara.
Nesse dia, como um raio de luz na tempestade, ela seria o motivo de todo espanto, o próprio desconhecido. Ao despertar do sono provocado pelas sombras daquele homem misterioso, ela sentiu saudades de certos fluidos, de tantas neblinas que um dia romperam, agudamente, a divisão entre luz e penumbra, entre homem e mulher.
Take Away Show #106 _ PABLO MALAURIE (part 1) from vincent moon / temporary areas on Vimeo.
Take Away Show #106 _ PABLO MALAURIE (part 2) from vincent moon / temporary areas on Vimeo.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Fotos da abertura da exposição Móbiles - Nelson de Magalhães (org. Lilian Maus)
Pessoal,
abaixo posto imagens enviadas por Mário Fontanive, tiradas do seu cel durante a abertura da exposição Móbiles, que está imperdível.
Vejam aí:
MAIS IMAGENS EM: http://www.espmfoto.com.br/site_antigo/public_html/eventos/
.jpg)
abaixo posto imagens enviadas por Mário Fontanive, tiradas do seu cel durante a abertura da exposição Móbiles, que está imperdível.
Vejam aí:
MAIS IMAGENS EM: http://www.espmfoto.com.br/site_antigo/public_html/eventos/
.jpg)
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Exposição Móbiles, de Nelson de Magalhães (Org. Lilian Maus)


Imagem dos escritos e esboços para os móbiles, de Nelson de Magalhães (foto de Dedé Ribeiro)
Convido a todos para a exposição "Móbiles", de Nelson de Magalhães (Organização: Lilian Maus)
Abertura: sábado, 5 de junho, às 11h (entrada franca)
Local: Espaço Cultural da ESPM/RS (R. Guilherme Schell, 268 – Porto Alegre)
Visitação: de segunda a sexta, das 8h às 22h, e aos sábados, das 9h às15h
Encerramento: 22 de julho de 2010
Conversa com artista: 22 de junho, terça-feira, às 11h20min (entrada franca)
Informações e agendamento de visitas: espacocultural-rs@espm.br ou tel. 3218.1300
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Ebooks apontados por Café Filosófico
Vale a pena dar uma olhada nos links apontados pelo Café Filosófico.
Várias referências pra download.
http://cafesfilosoficos.wordpress.com/about/e-books/
Várias referências pra download.
http://cafesfilosoficos.wordpress.com/about/e-books/
segunda-feira, 29 de março de 2010
Nelson Goodman e o "quando é arte?"
Artigo esclarecedor sobre Nelson Goodman.
por Isabel Rosete, 2007
Alguns Dilemas da Estética Contemporânea: Arte e Simbolização
http://isabelrosere.multiply.com/journal/item/9/9
por Isabel Rosete, 2007
Alguns Dilemas da Estética Contemporânea: Arte e Simbolização
http://isabelrosere.multiply.com/journal/item/9/9
Paralelos entre a arte e o sorriso
Lendo uma entrevista de Waltércio Caldas a Felipe Scovino no livro lançado recentemente "Arquivos Contemporâneos", retirei uma pérola poética da fala de Waltércio. A referência dele foi "O nascimento da arte", de George Bataille. Estou louca pra ler. Aí vai aproximadamente o dito:
A arte e o sorriso nasceram na mesma época e pelo mesmo motivo: no espanto do homem a perceber-se mortal.
A arte e o sorriso nasceram na mesma época e pelo mesmo motivo: no espanto do homem a perceber-se mortal.
Assinar:
Postagens (Atom)