http://www.flickr.com/photos/lilianmaus/sets/72157627054850557/show/
Na exposição "Área de Cultivo", de Lilian Maus, a ser inaugurada no dia 7 de julho, quinta-feira, às 18h30, na Galeria A Sala, do Centro de Artes/UFPEL (Rua Alberto Rosa, 62 – Pelotas/RS), a artista, integrante do Atelier Subterrânea (Porto Alegre), apresenta desenhos que migram de cadernos autorais, contendo textos-desenhos, para desenhos aquarelados de grande formato e também para a arquitetura do espaço expositivo.
O que: Exposição individual "Área de Cultivo", de Lilian Maus
Abertura: 7 de julho, quinta-feira, às 18h30 (entrada franca)
Local: A Sala / Galeria do Centro de Artes – UFPEL (Rua Alberto Rosa, 62 – Pelotas/RS)
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h
Encerramento: 10 de agosto de 2011
Conversa com artista: dia 8 de julho, sexta-feira, às 10h30, no auditório do IAD (Rua Alberto Rosa, 62 – Pelotas/RS)
Mais informações: www.galeriaiad.blogspot.com
quarta-feira, 13 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
O desenho como área de cultivo - por Flávio Gonçalves, 2011.

I
Para os antigos uma imagem servia a instruir, lembrar e emocionar. Ela tinha ainda o poder de transitus, permitindo que pudéssemos contemplar a partir dela as coisas invisíveis, o mundo sensível transfigurado em presença. Vivemos ainda os mistérios da imagem, já que a nossa voracidade em relação a ela é maior que o nosso entendimento. Aquela que surge da inscrição gráfica, o desenho, é a que nos aventuramos desde a infância; e que faz renascer em nós essa antiga tríade que nos temporaliza.
Os desenhos de Lilian Maus começam pela água através dos caminhos que o líquido cria em contato com o papel. Se existe um plano outro é o de esperar que ela evapore e que a mancha indique por onde prosseguir; e se possa adicionar mais camadas, cores, fazendo do fundo berço, nascedouro do trabalho. A memória da água é diferente da memória do gesto, e isso faz com que em seu trabalho a artista cultive os dois por fortuna e por leveza.

Um desenho talvez não precise esperar para secar, imediato que é. Mas é preciso esperar que ele brote, cresça e lentamente se revele. Um tempo para que a ideia se aceite como nova, para que a aceitemos como nossa. As metáforas de semeadura, crescimento e disseminação fazem com que pensemos a inscrição gráfica ainda mais como um espaço para o cultivo das ideias, para a revelação de memórias.
II
O sulco, a vala, o buraco de onde uma imagem nasce nos reposiciona em relação a nossa origem. Do mesmo modo que os encontros nos fazem pensar de onde partimos. O futuro é o modo temporal da projeção, onde conduzimos e somos conduzidos. Assim, o universo de referências construído pelo artista é alimentado por esses encontros e esses caminhos, da coleta daquilo que pode estar em perspectiva com seu modo de olhar o mundo, atualizando sua sensibilidade. A percepção desse material promove ainda outros deslocamentos, fazendo com que essas referências coletadas despertem relações pouco evidentes quando vistas de forma parcial ou isolada.

Lilian gosta de pensar que seus trabalhos formam um jardim (e me vejo olhando para os pátios, pois o jardim dos outros é sempre mais misterioso que o nosso). Talvez por isso o desenho seja seu instrumento de trato, um meio onde a leveza ganha gravidade. É assim que vejo suas letras e frases em plástico, grudadas em linhas e ramas, esperando um leitor que lhes dê sentido, que ande em torno e que as trate como hera, símbolo do contínuo que são.
Dos encontros da artista, Lilian reuniu séries como Área de cultivo, onde são fotografadas manchas, fungos e outras culturas que nos lembram o modo como seus desenhos, aos poucos, fecundam e germinam a folha de papel. O que a artista põe em relação são esses processos ao acaso que formam a periferia da nossa atenção, e que ela transforma em ação e determinação. Um trabalho simples que a arte procura nos fazer perceber: por vezes algo do tempo se condensa em nós, vira matéria, pesa e desaparece.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Salva pelo quase

ela estava cansada do jogo.
parecia conhecer os pormenores de cada um de seus esconderijos, todos os velhos truques, e enjoava ao olhar as cartas q permaneciam imóveis na mesa.
o interior a sufocava.
ao mirar as janelas, avistava ar puro, iludia-se com o movimento.
desejava ser aquela pequena mosca cega a bater no vidro com perspicácia, num impulso insano da vida a ignorar a morte.
queria acreditar num fluxo sem fim, queria jogar-se por inteiro. acreditar na própria sorte, como faz o animal. e só.
sua vida em um lance de dados: o resultado foi 4 + 2.
concluiu que, naquela manhã, andaria 4 km e, pela tarde, mais 2km.
tão logo ela correu para colocar o tênis, começara a chuva, carregando consigo a sensação de que ela fora salva pelo quase.
abriu a janela, a mosca se foi. então ela sentiu o gotejar gelado em seu rosto.
ela encerrava-se ali.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Memória e Cézanne
“Vemos a profundidade, o aveludado, a maciez, a dureza dos objetos – Cézanne dizia mesmo: o seu odor” .
"We see the deep, velvety softness, the hardness of objects - even Cézanne said: your scent."
"We see the deep, velvety softness, the hardness of objects - even Cézanne said: your scent."
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
Pequenas inundações
Impedida de pensar pelo mormaço que atravessa as paredes de sua casa, ela sente todo o seu corpo amolecer. O próprio pensamento está lento e a cabeça pesa. Estirada no sofá, respirar lhe basta. Será? Ao longe, avista um amarelo intenso. É a luva solitária a brilhar sobre o granito negro no tanque da despensa. No sofá, primeiro se deslocam as pernas e os pés, depois as mãos e os braços e, por fim, a pesada cabeça. Ela está de pé a caminho da luva amarela, comungando com seus fragmentos. Suas mãos pegam a luva, um sopro a torna balão, com a torneira ligada, a água lhe dá peso e uma forma engraçada, a mão está submersa. Não há um furo sequer. Sua mão encontra seu lugar neste pequeno esconderijo inundado e deslizante, onde os pequenos prazeres parecem escorregar por entre os dedos.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
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