O encanto da projeção
Subindo em portas
Quem nunca se deixou levar pelo encanto da penumbra? Pelas imagens soltas que surgem na mente ao fechar os olhos.
Um amigo me enviou hoje um fragmento de um livro sedutor:
SENNETT,Richard. O Artífice. Rio de Janeiro, Ed. Record, 2009 pág.233
Este trecho me caiu feito luva:
Na ideia de imaginação de Thomas Hobbes, por exemplo, voltamo-nos para sensações que já experimentamos no passado. "A imaginação", dizia ele, "nada mais é que o sentido em decomposição." Uma vez removido um objeto que nos estimulou "ou fechado o olho, ainda retemos uma imagem da coisa vista, embora mais obscura do que a vimos".
Sobre o assombro:
Os gregos antigos expressavam o assombro na palavra poiein, que deu origem a fazer. No Simpósio, Platão diz que "o que passa do não ser ao ser é uma poesis", uma causa de assombro. O autor moderno Walter Benjamin usa outra palavra grega, aura — "banhando na própria luz" — para designar o assombro ante a existência de uma coisa. Podemos nos assombrar com frescor, livres de qualquer complicação inicial, com coisas que não fizemos; no caso das coisas que fazemos, contudo, é necessário preparar o terreno da surpresa e do assombro.
terça-feira, 16 de junho de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
Penando para se atrasar
Dica do Lucchesi, repasso aos navegantes:
Vídeo Stop Motion "Sorry, I'm late"
Mais info: http://www.sorry-im-late.com/makingof.html
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
Sonho pra lá de estranho

Talvez pela busca constante por cabeças de bonecas neste último mês, em função da exposição da artista Lia Menna Barreto no Atelier Subterrânea, associada às lembranças da fazendo do meu avô, tive hoje à noite um sonho pra lá de estranho.
Num galinheiro de uma paisagem repleta de alagados,
os pintos nasciam com cabeças de bonecas.
Eu estava lá, a salvar as criaturinhas da queda n'água,
até que vi a placa "Depósito: Mensageiro da Caridade".
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Trecho do filme Antes do Amanhecer - personagem Jesse James
sábado, 24 de janeiro de 2009
"Prisioneiros de gotas d'água, não passamos de animais perpétuos." (O Espelho sem aço, de Max Ernst)
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Ensaios e recomeços

Ela não estava lá.
Fechava os olhos, como de costume, e ousava acreditar que tudo se apagava, tal como nos jogos de esconde-esconde.
Sentia-se cega.
Sugada pelos buracos negros de seus próprios olhos, metendo-se de corpo e alma em túneis intermináveis. Ela simplesmente pairava sob a escuridão desviante.
Em sua cabeça leve e oca ecoavam, de um lado a outro, os sons agudos da noite.
Havia ali um sonar constante, semelhante ao dos grilos que imperavam em seu quarto de infância durante as noites sem vento.
Com as pernas pesadas, mal podia mover-se.
Embriagada de uma sonolência inevitável,
ela sentia, naquele instante, todo o seu ser alojar-se no estômago.
Definitivamente, naquela noite, ela não iria jantar.
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